09 maio 2015

Emprego Vs Desemprego Vs Empreendedorismo



Fui assistir a uma conferência sobre empregabilidade, a meio da conferência, saí para reunir com um dos oradores, no final reuni com outro dos oradores e permeio ainda recebi um convite para visitar um terceiro orador... Gente importante... E empregada!

O motivo deste testamento é simples, faz-me alguma confusão ver pessoas empregadas falar do desemprego sem exercer, em primeiro, o mínimo de empatia social e colocar-se no lugar do outro abstendo-se de julgamentos perante uma situação que pode ser considerada um verdadeiro flagelo social ou por outro lado uma benção disfarçada que permite a descoberta da Liberdade pessoal, que tantos não concebem sequer....
É uma forma subtil de divisão social, bastante pervasiva e transversal na opinião pública da sociedade contemporânea.

Depois do IEFP me ter encaminhado para uma "simpática" formação de 50 horas quando fui pesquisar fontes de financiamento, acabei por estar a ensinar desenvolvimento pessoal e programação neurolinguística aos meus colegas formandos. 
Foi o meu relato ao desmontar o quadro cor de rosa que duas assalariadas do IEFP pintavam(gente que lucra com o desemprego), ao perguntar se me ofereciam emprego como formador para financiar a minha ideia de negócio.
Isto porque já fui empregado, desempregado e agora empreendedor.
Acho que sou mesmo inconformado e pronto!

Faz-me ainda alguma confusão ver gente empregada (nos meandros do sistema), falar de empreendedorismo, quando não faz trapezismo sem rede, sem saber onde vai buscar dinheiro para fazer face aos múltiplos desafios que se apresentam a cada instante... Para viver, ou mais grave, vive no medo constante de perder o mau emprego que tem, mas ao qual se "tem que sujeitar".

A lógica de pensamento é simples, depois de fazer a pergunta "bomba" de num rasgo de empreendedorismo ao pedir emprego para financiar as minhas iniciativas privadas, fui imediatamente  reencaminhado para soluções estilo Portugal 2020, em formato Tecnoforma e Fomentinvest, onde imediatamente ressoaram as palavras do láparo "a pipa de massa" que aí vem de Bruxelas.

É esta lógica subsidiária que nos trouxe onde estamos, à merda da "chico espertice" financiada por Bruxelas...

Algumas verdades acerca de Emprego, desemprego e empreendedorismo

  1. Para quem tem emprego, quem não tem, não quer trabalhar...São malandros, andam a receber quando deviam trabalhar e produzir (esquecendo pessoas e empresas já descontaram para a protecção social), é a repetição do discurso veiculado por esta governação para camuflar o flagelo social do desemprego. Para estes é impensável viver sem emprego, porque o emprego é como que uma extensão da sua identidade social, do status quo.Todos os outros não querem fazer, produzir, descontar, afirmando-o de forma veemente enquanto aguardam o cheque mensal para ir aos saldos.
  2. Para quem está desempregado, ter emprego é uma sorte (mesmo que tenha de lidar com a precariedade, com a abusiva carga fiscal, salários magros, despesas para ir trabalhar como alimentação, transporte, andar com carro próprio ao serviço da empresa horários excessivos ou condições laborais miseráveis).Há pessoas dispostas a tudo para trazer algum dinheiro para casa, para pagar as despesas, por comida na mesa e levar uma vida com um mínimo de dignidade.Reparem que quando se pergunta a alguém, quem és? Não raras as vezes respondem com a profissão, cargo ou habilitação, para esses o desemprego é como que um corte na própria identidade. Onde fica patente a sensação de inutilidade social, uma ilusão muito impregnada na sociedade de formato revolução industrial, com o sistema de ensino ainda formatado para as jornadas de 8 horas e a educação familiar do "estuda para teres emprego". Não ter emprego, pode ser penalizador do ponto de vista social, familiar e até amoroso. Criando sucessivas vagas de inadaptação social, criando a ilusão que o sujeito não serve à sociedade, o que é obviamente e absolutamente falso. Todos temos valor intrínseco da existência.
  3. Para quem empreende (o empreendedorismo tem vários níveis e não raras as vezes a palavra é utilizada de forma abusiva e desapropriada, a definição priberam: Atitude de quem, por iniciativa própria, realiza acções ou idealiza novos métodos com o objectivo de  desenvolver ou dinamizar serviços, produtos ou quaisquer actividades de organização e administração), ser forçado a arranjar emprego é uma espécie de game over, dado que a liberdade e flexibilidade de acção de criar e gerir é um dos factores chave para a automotivação juntamente com o gosto da superação de desafios. Para estes ter um emprego implica cumprir o sonho de outro (o nome disso para um empreendedor é "parceria"...) e estar desempregado, é ter o tempo disponível para pesquisar, ler, estudar, criar, desenvolver e gerir, deixar de ter horário e trabalhar muito mais do que as 8 horas da função pública, pagamentos são sempre bem vindos para agilizar a multiplicidade de actividades e processos bem como as despesas correntes, aí entram os empreendedores de outro nível (os investidores e business angels), que investem dinheiro no teu negócio, onde podes te transformar num empregado, voltando ao ponto 1... Ou subires de nível e tornares-te tu, num tubarão do shark tank.
É uma pescadinha de rabo na boca.

Ainda em linha com os tempos e os discursos de Passos e Portas, o que o IEFP e as empresas preconizam como empregos com muita procura na região derivam exclusivamente do situacionismo, sem um pingo de inovação (a não ser que seja financiada por Bruxelas) ou pensamento crítico que o valha...

Precisam de soldadores e técnicos de robótica para a metalomecânica, é provável que a robótica crie mais robots para soldar deixando em poucos anos os soldadores no desemprego aptos para a reconversão made in IEFP.
São necessários técnicos comerciais de exportação, mas não há formação adequada, porque não se antecipou o cenário da globalização e ainda ninguém sabe muito bem qual o perfil destes técnicos, nem empresas nem IEFP. Em principio deve saber falar português, castelhano, francês, inglês, alemão e mandarim... É um bom começo.

Mas o IEFP espera do Portugal 2020, verbas para formação, para incrementar um potencial humano (sobretudo aquele que não tem mais do que o 12º ano), os outros que se lixem, os que estudaram demais, estão desadequados, ou tem que ajustar a sua realidade às perspectivas miserabilistas da visão política de um 1º ministro que chegou ao cargo recolhendo fundos europeus para o efeito e agora envia os cérebros do país emigrar.
Podíamos ter feito como o Relvas que se safou bem melhor a vender cursos às autarquias com fundos europeus, sendo doutor de secretaria.

Actualmente continuamos focados nas alvíssaras de compra da mãe Europa, que andamos a pagar em suavíssimas prestações de penhora do país... De programa em programa.

Vem aí uma pipa de massa e ninguém discute o flagelo social de viver sem uma fonte de rendimento, o comodismo de aceitar qualquer coisa para ter um salário ou o inconformismo de fazer qualquer coisa diferente (como este blog!), só porque sim.

Porque é preciso pensar além do veneno destilado pela propaganda, pelas televisões e os jornais.

O Portugal 2020, são 5 anos de um programa financeiro, num país ultra endividado e dependente, com uma classe dirigente que se estabeleceu juntamente com as suas clientelas em torno do manancial dos fundos comunitários, como os peixinhos à boca do esgoto na marina de Vilamoura.

Onde está o vector director de médio longo prazo?
Não está, por estarmos em plena experiência de engenharia social e económica, com o plano Juncker ( cujo o último plano foi fazer concorrência fiscal à UE a partir do Luxemburgo com as multinacionais mundiais), com o plano austeritário Merkel de hegemonia alemã, com a entidade suprabancária do Mecanismo Europeu de Estabilidade ou dos 3% de défice plasmados nos tratados escritos na pedra e decididos por entidades invisiveis que a todos agrilhoam à inflexibilidade da especulação financeira dos irreais e surreais mercados que ditam as regras de um jogo há muito viciado.

A partir de Bruxelas, Berlim, Luxemburgo e Estrasburgo, no coração do império eurostate.
Porque nenhum país é conquistado, sem a conivência de alguns dos seus habitantes...

23 abril 2015

O mundo dos Robertos

Robertos

Amigos leitores, tem acontecido tanta coisa que nem sei por onde começar...

Esta semana encontrei pelo menos 3 pessoas que afirmavam estar a pensar a candidatura à presidência da república, dissuadi pois aquela gente, com os horrores da espera para entregar a papelada, tal qual uma nefasta repartição do confisco, da insegurança social, uma coima ou penhora... Uma merda chata, vá...
Não ficaram convencidos, os 3 indivíduos diziam-se capazes de salvar Portugal... 
E lá seguiram com as assinaturas debaixo do braço, rumo aos pastéis de Belém.

Meia dúzia de pasteis, foi quanto o FCP levou do Bayern, foi uma espécie de revanche com juros, algo em tudo condizente com as relações entre os dois países... Cada vez que lá vamos, pagamos!
Algo que já ficara bem claro no jogo entre as seleções portuguesa e alemã no mundial de futebol do Brasil em 2014.
Portugal levou 4 e o Brasil 7... Da Alemanha.
(E pensar que o mercado das apostas desportivas controla os resultados, bem dizia Marx "o futebol é o ópio do povo")

O PS reuniu um comité de especialistas em economia para apresentar uma espécie de pré programa eleitoral do PS para as legislativas, algo que o governo andava a pedir, enquanto saca mais um imposto, efectua mais um corte ou embolsa mais uma pseudo privatização.
É um programa para 10 anos... 
Pensando nos últimos 10, não creio que fosse possível prever este rumo de acontecimentos, assim como acho difícil prever a próxima década.
Promessas, bem vimos a campanha do actual 1º ministro e o relativismo moral onde mergulhou, tal como o seu antecessor, agora preso...

O choque energético português é um extraordinário caso de sucesso, com os nossos judas de serviço Mexia e Catroga, a empocharem belas somas, como capatazes da China comunista, just business they say...
Igualmente para a Galp que vai engordar as margens criando duas versões do mesmo produto, combustível low cost com menos custos de produção para a Galp e o combustível normal inflacionado no preço, é para aguentar o choque petrolífero do barril a 60 dólares.

Hoje uma criança de 7 anos ficou sem almoço na cantina da escola, porque os pais se esqueceram de reservar a senha...
Negar comida a uma criança, na Europa do século XXI...

Essa Europa do "soft power sagrado" que não tem mãos a medir, começando na pressão Grexit, no crescimento do antieuropeísmo, das lutas com fronteiras com o urso Russo, os massacres na Síria, a crise humanitária no Mediterrâneo, o sangue nas mãos, a islamização e uma espécie de controlo higieno fascista que inibe e restringe, a muitas milhas do que era o projecto europeu original.
Passou a ser apenas uma questão de controlo, uma experiência de engenharia social, de controlo económico financeiro. 
Uma conquista colonial e nada mais.

Este é o maravilhoso mundo dos Robertos, maravilhosas minusculas engrenagens duma gigantesca máquina pervasiva e quase omnipresente (pelo menos nesta região do globo) programados por acção de uma mão no traseiro e de viva voz característica.

O que leva ao principio da PNL programação neurolinguistica:

"TU fazes parte do sistema"

17 abril 2015

Woman Power @ BCE


Era um dia normal no BCE, Draghi e Constâncio ditavam banalidades frívolas e ambíguas sobre a situação grega, num economês/financês obtuso, surreal e desnecessário, quando subitamente o inesperado acontece.

Uma alemã de 21 anos, sentada na 1ª fila, salta para cima da mesa, arma "a tenda" com o discurso de Draghi atirando os papeis ao ar, juntamente com punhados de confetis, enquanto gritava um slogan fofinho...

O slogan apresentado pela jovem conterrânea do BCE?

"STOP ECB Dicktatorship"

Depois de agarrada pela segurança e arrastada para fora da sala ainda gritou:

"Sou apenas uma borboleta com uma mensagem, em breve serão muitas mais..."

O episódio foi reivindicado pelo grupo internacional feminista FEMEN.

E foi lindo ver a cara dos "intocáveis" Draghi e Constâncio face ao inesperado, impagável.

Assim se faz protesto inteligente, pacífico, quando todas as câmaras estão ligadas, aquela voz representa mais europeus do que qualquer não eleito da UE, nomeadamente BCE e Comissão Europeia.

Deixo-vos este caricato episódio em imagens... Foi bonito de ver! Reparem nos ares assustados de Draghi e Constâncio.

Eu gostei... Finalmente, senti-me representado na Europa.







11 abril 2015

Passos Coelho em Anadia

Um agradecimento ao Daniel Louro pelo excelente enquadramento fotográfico
Fui ver o senhor dos Passos, tirei-lhe uma foto fraquinha, que o meu amigo Daniel Louro​ fez o favor de substituir por esta bem mais catita, com a envolvente que trouxe o coelho à Bairrada, o programa Invest Anadia.

Assim que cheguei ao cine teatro de Anadia, a primeira pessoa que encontro é o famoso Serra, chefe de segurança do 1º ministro (aquele senhor que impede as pessoas de cantar a Grândola vila morena), estava no lugar certo, casa cheia e coloquei-me no lugar da comunicação social, agora que ser blogger dá dinheiro (já recebi o meu cheque da google, para não falar dos endorsements de empresas, produtos e serviços, uma verdadeira mina amigos, toca a bloggar).

Foi apresentado o plano elaborado pelo WRC agência de desenvolvimento regional do Curia Tecnoparque, em linha com Portugal 2020 e os eixos prioritários de acção, em seguida a presidente independente Engª Teresa Cardoso lançou alguns tópicos como a inclusão da ligação à A1 no PDM e a continuidade dos estágios pepal através da contratação que as autarquias estão impedidas de fazer.
Apoiar o empreendedorismo, as empresas, criar emprego e riqueza.
O sonho americano de qualquer capitalista anadiense...

E aí falou o benemérito láparo.

No Portugal 2020 terá que haver rigor na aplicação dos fundos comunitários (nada de tecnoformas e fomentinvests).

Em relação a estradas fez-se muita coisa e gastou-se muito mal gasto, mas já está e agora foi-se, mas estamos muito melhor, quer em rodovias e até ferrovias (que precisam de algumas "correções").

Estamos descapitalizados, as empresas estão muito dependentes da banca e precisamos urgentemente de atrair investimento externo (de preferência externo à própria UE).

Isto depois de sucessivas medidas a sifonar a economia real para aliviar os maus investimentos e roubos da banca.

Temos de aumentar as exportações, mas os indicadores estão (quase) todos bons, tudo em curvas ascendentes nos gráficos desde 2013 para cá e em 2015 é que é, não vamos ser pessimistas... 

Afinal de contas já se anda a falar em recuperação económica há umas décadas valentes...E já ouvimos esta cassete Passista desde 2011 com o sucesso das suas medidas, que se respira na fervilhante actividade económica do país.

O primeiro ministro afirma em seguida (de uma forma muito positivista e nada popularucha) que "precisamos de investimento estrangeiro como de pão para a boca", a malta a pedir-lhe dinheiro com um plano preparado, que o coelho apelidou de forma paternalista de "TPC" e o mamífero responde em jeito de "que se lixem as eleições" e afinfa-lhes com um plano estilo Futre nas eleições do Sporting, o de ir buscar o melhor chinês...( Que em principio será o da Malaposta!).

Foi um fartote de diversão, gabo a coragem do primeiro ministro, dizendo estas coisas em público sem se rir uma única vez.

É como ver um espectáculo de stand up onde ninguém se ri, apesar das excelentes piadas do convidado de honra, com direito a espumante e croquete no final.

Recomendo a todos irem a estas visitas oficiais.
Podem ler a notícia do evento aqui.

01 abril 2015

Dumb an Dumber- Doidos à solta- Podcast VHS


É sempre um prazer fazer os podcasts VHS, com o Paulo Fajardo e o Daniel Louro. desta feita escolhemos o filme "Doidos à Solta".
1994 foi o ano de "explosão" da carreira cinematográfica de Jim Carrey, consagrando-o como um nome incontornável da comédia.
Haverá limites para o non sense? 
Vão ter de ouvir o podcast para saber... Ou podem fazer download aqui.


15 março 2015

Tudo impecavelmente bem na fotografia

Ficar bem na foto

Piadas com os dias do fim e desafios mentais

Ver o 1º ministro defender uma melhor aplicação dos fundos europeus enquanto se imagina um enorme letreiro neon por cima da cabeça a piscar cintilante onde se lê em gordas...

TECNOFORMA

Que melhor forma de aplicar fundos europeus que a ascenção a 1º ministro?

Na plateia os olhares entrecruzavam-se num misto de terror, desgraça e vergonha alheia perante as palavras de alguém que definitivamente tinha esquecido a segurança social...
Não sabia quem era, nem o que fazia ali.
O láparo estava visivelmente engulhado e embrulhado numa tremenda incongruência.

A filiação na lista VIP das finanças, os descontos (e o respeito!) com a protecção social.

Um governo à deriva moral, cumprindo ordens sem questionar por simples perrice ideológica.

Depois de deixar a economia nacional e o mercado interno bem devastado e a classe média bem espremida em favor da banca e finança global.

Paulo Portas continua seguindo o plano do Futre em busca do "melhor chinês" para importar ou oferecer um visto gold.
António Costa aplaude, já se sabe que quando há um chinês por perto, "Portugal fica logo melhor"

Portugal ficaria ainda melhor na fotografia, se na próxima Paris Match viesse uma reportagem com o presidente Cavaco e sua esposa Cavaca, almoçando na varanda do palácio de Belém, voltados para a praça do império e os Jerónimos, enquanto desfrutavam de um tinto Baga da Bairrada.

E grita o 1º ministro com o letreiro tecnoforma na cabeça:

"Qual Varoufakis, qual carapuça... Radicais de esquerda a beber vinho branco sob a Acrópole, a viver acima das suas possibilidades enquanto deviam honrar os compromissos assumidos."- abandonando o balcão da segurança social.

César das Neves algemado a uma parede, grita por estacas e fogo, sacrifícios humanos, ferros em brasa e rituais 50 shades of Grey, para lhe expiar o pecado do corpo.

Portugal está muito melhor, está sol, há alegria, amor e esperança.

Pedro Lomba antevendo a jactância da Primavera que se avizinha, pretende atrair os jovens que emigraram com um programa chamado VEM e que Portugal já acrescentou um vigoroso "TE".

Mas na próxima Paris Match vem a Baga da Bairrada, palavra de Cavaco.

Baga da Bairrada

17 fevereiro 2015

Portugal não é a Grécia, mas podia ser...


Pedimos desculpa, a UE segue dentro de instantes, só ninguém sabe bem para onde...

É muito bonito, quando milhões de pessoas seguem à força o pensamento único escorrido das torres de marfim de Bruxelas, pelos não eleitos produtores de euros e respectivos promotores do dito.

Mas e se alguém ousar discordar, do pensamento único austeritário? 

É o que está a acontecer neste momento com a Grécia, que DEMOCRATICAMENTE, elegeu um governo que até agora só tem dado que falar e lançado o pânico nos defensores do pensamento único... Porque adivinhe-se, há sempre múltiplas soluções para qualquer problema!

... Mesmo que isso tire os almoços grátis à Alemanha, os paraísos fiscais das multinacionais no Luxemburgo do presidente da comissão europeia Juncker, dos subornos de armamento do ministro das finanças alemão Schauble ou o sono ao presidente do eurogrupo Djisselbloem...


Nesta ronda de negociações do eurogrupo, os tecnocratas queriam estender o programa da Grécia por mais 6 meses, ganhando tempo para burocratizar ainda mais o processo de recuperação grega (ao qual acresce juros e sobre o qual se pode ainda especular), o governo grego considerou a proposta inaceitável... 

Na mesma reunião, Portugal vê aprovado o pedido para devolução antecipada de 12 mil milhões ao FMI... E a comissão liquidatária a que chamamos de governo, recebe assim a sua comissão antes de se despedir nas eleições legislativas de Setembro.
"Assumir os compromissos assumidos" com o FMI é bonito, só tenho pena é que não funcione com o BES nem com os primeiros ministros Pedro e Paulo.

Nisto tudo há ainda uma série de variáveis complexas, que os tecnocratas da finança ignoram...

  • A Ucrânia que ainda não deixou de ser Rússia, mas já é UE, já "apeada" com um empréstimo multimilionário, prestes a receber armas dos EUA.
  • O apoio da Rússia ao cenário Grexit, sabendo que a saída da Grécia do euro abre um precedente sujeito a repetições.
  • Os pipelines e gasodutos de abastecimento do centro da europa, desviados da Ucrânia para a Grécia.
  • A não anuência grega pode inibir as sanções à Rússia.
  • A Grécia possui os portos europeus, mais próximos do canal de Suez com ligação ao oceano Indico.

A crise das dívidas soberanas mostrou que a distribuição de moeda única feita exclusivamente através da banca e da concessão de empréstimo é um fracasso.

As multimilionárias ajudas externas, ficaram retidas na banca, que utilizaram esses montantes para camuflar os maus investimentos e desvios, como o caso BES e o dinheiro que se esfumou para Angola ou em papel comercial da Rio Forte e que afundou a PT, com a conivência de governantes e reguladores, cuja missão é confiscar propriedade privada.

Claro que o nosso governo é contra o Syriza, Passos, Portas e Cavaco estão nos antípodas de tudo o que representa a autodeterminação de um povo, subjugado aos dislates alemães e dos tecnocratas europeus como simples funcionários de uma mercearia, governando contra os poucos que os elegeram, de forma autista, cruel e autoritária.

Mas Portugal não é o único país nesta situação, aqui ao lado em Espanha o Podemos, posiciona-se à frente nas eleições legislativas de Outono...
Em França, a extrema direita sobe com o mesmo afã perante os atentados do Charlie Hebdo e a islamização intensiva do país...

E mais são as vozes que se levantam, contra o pensamento único, contra a austeridade do jugo económico, fiscal e bancário, mas sobretudo contra a Alemanha e os países do norte, o centro do eurostate para onde fluem todos os recursos com o Mecanismo Europeu de Estabilidade à cabeça, mais um órgão da ganância eleito por ninguém para garantir o controlo sobre os "endividados".

Ainda é cedo para falar da actuação grega, talvez estejam a ganhar tempo para reunir mais apoios e consensos no seio europeu, sendo que os EUA não querem perder o país para a Rússia...
Os EUA que passaram por algo semelhante na sua guerra civil de norte e sul.

A UE enfrenta um desafio político de peso onde a sua própria sobrevivência e manutenção é posta em causa, pela primeira vez em muitos anos, os fanáticos da austeridade, encontraram radicais anti austeridade.

Numa europa onde o negócio é o empréstimo, a usura e a especulação, dizer stop a isto é um dever.

O Syriza teve coragem para o fazer e aqui reside o perigo... 
Nunca um número tão significativo de europeus se sentiu tão representado como agora.

Para quem está preocupado com os 1100 milhões que emprestámos à Grécia, demos 10x isso para o BPN e outro tanto para o BES, só deus sabe quanto vai para manter as PPP, em juros de 2014 demos 7x o que emprestámos à Grécia e em 2015 vamos dar 15000 milhões.

Além da fiscalidade verde, deviam ter inventado a fiscalidade azul, para taxar os sacos azuis.

Volto a frisar, ainda é cedo para tirar conclusões, mas para já os gregos estão a ser uns heróis para os povos da europa, sobretudo os do sul em situação similar, com a engendrada crise das dívidas soberanas.

Há algo de poético, na histórica determinação da resistência grega ao domínio alemão.
Portugal não é a Grécia, pois não! Mas em certos aspectos até devia ser...

P.s- Grécia, desculpem o nosso governo, ele nunca representou Portugal ou os interesses dos portugueses... O programa eleitoral era fictício e como tal os representantes eleitos ilegítimos.