08 novembro 2016

7 Perguntas sobre web some-te

Pelo preço dos bilhetes, só para políticos com o patrocínio da Galp

O evento estreou-se com 3000 pessoas com bilhete pago ficarem na rua ao frio a ver as conferências num ecran gigante (para esses é certamente web some-te) e o organizador Paddy a não conseguir wi-fi no meo arena. Para um evento mundial de tecnologia, começamos bem.


Quem tem ideias e não tem financiamento para elas, pode esquecer o web summit, os bilhetes vão desde os 1000 euros até mais de 5000 para ter acesso a todas as áreas e privar com os vips.

Por vips entenda-se, futebolistas a falar de empreendedorismo, que não lutam com a falta de liquidez, ver o gestor de um monopólio como o Mexia falar de concorrência e mercados, apupar Barroso depois deste afirmar sem se rir que hoje a "Europa é mais forte", ou ouvir o presidente do Sporting dizer mal do Benfica e da arbitragem.

Louvar os call centers que as tecnológicas abrem em Portugal e ouvir um gajo do Facebook fazer previsões para os próximos 10 anos, quando há 10 anos começava o Facebook e não imaginaria o cenário actual.

Se fosse eventualmente algo de bem, bom e belo, havia streaming aberto das conferências para todos, mas é apenas mais um negócio para encher bolsos, ao Paddy Cosgrove e a uns quantos evangelizadores e futuros evangelizadores do "empreendorês", dialecto que tens obrigatoriamente que conhecer, se quiseres montar um negócio (startup).

No meio empreendorês "showoff", é o termo utilizado para "muita parra e pouca uva", "business angel" um parasita que nos empresta dinheiro com juros de 300% e não raras as vezes amputa o negócio com a sua expertise.
A banca anda sempre por perto, porque o negócio é emprestar e colectar juro e que melhor forma de justificar perdas e imparidades do que uma startup que não vingou.

É um belíssimo mundo novo.
Surgem-me no entanto algumas questões relativas ao evento, que deixo à vossa consideração.

1- Quantos secretários de estado foram enviados pela Galp ao Web Summit?
2- Quanto do erário público, foi gasto em bilhetes para representantes políticos irem aprender "empreendedorês"?
3- Quem (publico alvo) no seu juízo perfeito pagaria um mínimo de 1000 euros para ouvir personagens como Mexia, Barroso ou o presidente do Sporting?
4- Os responsáveis políticos que apregoam os milhões de lucro dos 50 mil visitantes, quanto deram ao Paddy Cosgrove para fazer o web some-te em Lisboa?
5- Há alguma relação entre o web some-te e a reunião da comissão trilateral em Lisboa?
6- Não seria mais fácil pegar no dinheiro investido no showoff do web some-te e ensinar essa juventude que por aí anda a programar, não seria mais lucrativo do que ouvir palestras do establishment?
7- Além da enorme publicidade e dos bolsos cheios de Paddy Cosgrove, quantos milhões de investimento em startups portuguesas se concretizaram? (Não vale falarem da Farfetch, da Feedzai ou da Uniplaces).

Somos tecnologicamente à frente, pelo menos parece e isso é marketing
Este artigo foi escrito integralmente em "empreendorês".

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