03 fevereiro 2017

Biff Trump Tannen precisa de amor


Tenho-me escusado a comentar todo o processo da eleição de Trump, mas não posso deixar de reparar que é profundamente parecido com Biff Tannen da trilogia Regresso ao Futuro.
Alguém que alterou o seu destino na história, roubando a máquina do tempo e utilizando em proveito próprio partilhando consigo mesmo, no passado, informação privilegiada que o fez enriquecer.
Há aqui claramente um paralelismo.

A campanha mediática que rodeia Trump e faz eco de todas as suas acções, diariamente nos media deste mundo conferem-lhe tremendo poder.
Os media não aprenderam rigorosamente nada com a vitória de Trump sobre Clinton, cavalgando triunfante a onda anti-Trump que dava por certa a derrota, ele ganhou e esbofeteou toda a elite internacional da comunicação, que insiste na distração colectiva mundial.

A construção do famoso muro com o México foi iniciada em 1994 no mandato de Bill Clinton, a França depois de desalojar milhares de refugiados, acabou de construir um muro em Calais.
No Mediterrâneo morrem pessoas às portas da Europa constantemente, os líderes olham para o lado enquanto pedem ao ditador da Turquia que sirva de porteiro.
Nós somos civilizados, eles são uns xenófobos e racistas...
O Vaticano é completamente rodeado por um muro, bem alto.

Proibir a entrada de nacionalidades especificas no pais não é bom, mas o que tem feito a UE, além de vender armamento, bombardear a Síria e destabilizar os regimes do Médio Oriente, favorecendo o terrorismo e mantendo o clima de guerrilha, financiando e armando os dois lados do conflito.

Vejo os nossos comentadeiros, inclusive o sempre agradável presidente-rei Marcelo, que ainda não perdeu o tique de comentar tudo em todo o lado dos tempos da TVI, dizendo que se trata da ascensão do populismo.

Ora, como se ganham eleições em Portugal, senão com verdades populistas relativas e alternativas?

Os americanos ainda votam, já os europeus não tem uma única palavra a dizer sobre BCE, Eurogrupo, Conselho europeu, Comissão europeia, Mecanismo Europeu de Estabilidade e afins, onde hordas de funcionários sem qualquer legitimidade de voto dos povos europeus se arrogam a atirar postas de pescada sobre os países e as suas governações.

Populismo?
Não, é ditadura mesmo!

Mas olhem lá o Trump, o cabelo, a cor laranja do solário, os implantes da Melania, os discursos e o diabo a quatro, para distrair o europeu normal de pensar em quem se propõe habilmente a governar a sua casa, numa espécie de teletrabalho a partir da Alemanha. Schauble é bem pior que Trump para todos nós portugueses, Draghi, Djisselbloen, Moscovici, Schultz e Merkel também.

Muitos dos nossos representantes no Parlamento Europeu (a unica instituição da UE que goza de legitimação popular), comem da mesma gamela do PPE que tomou conta de todas as instituições europeias e congrega todas as facções da direita até bem ao extremo, mas querem nos fazer crer que o problema é Trump.

Esperem só pela Marine Le Pen em França, país que já vive no medo constante da ameaça.
Hoje um suposto atentado à porta do Louvre em Paris, um individuo com uma catana, que grita o característico "Allah ackbar" já tornado epíteto de terrorismo, dirige-se a um policia que ficou com um lenho na cabeça e o suposto terrorista cravejado com 5 balázios.
Tudo normal, era terrorista.
Em França as forças de segurança andam de metralhadora na rua, o medo está instalado e as coisas simplesmente acontecem incentivadas pelo ódio, pelo medo e a segregação do binómio nós/eles.

Vejo a mesma tentativa fútil dos "especialistas" qualificarem e rotularem os votantes do Brexit, como fazem com os eleitores de Trump, não vejo nenhum admitir o óbvio.
O cidadão comum está farto de carreiristas políticos, de políticos e políticas que apenas servem os próprios (veja-se Sócrates a processar o estado) e de falsas uniões exploratórias.
Se populismo é a utilização da unica arma de que dispõe, o voto, para baralhar as contas a quem ocupa o poder e dele abusa, o cidadão não hesitará.
Sem dó nem piedade e mais grave, sem pensar nas consequências.

Trump não surge por acaso, surge das promessas por cumprir de Obama, da inação da UE, da Nato e de pessoas fartas do politicamente correcto que nos fode a todos.

Não simpatizo especialmente com Trump, nem com as suas politicas, mas a campanha mediática anti Trump enoja-me muito mais, é distração e lavagem cerebral global   .
Trump tem o mérito incontestável, de em poucos dias de presidência dos EUA trazer à tona toda a hipocrisia que reina nos líderes do mundo, que hoje apontam o dedo ao espelho.

A vantagem dos americanos face aos europeus...
Eles ainda votam, nós já não.

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