05 novembro 2006

Praxe: O que foi? O que é? O que será?

A definição de praxe, do Grego "prâxis"- "acção"; pelo Latim "praxe"- "práctica" consta no dicionário como: aquilo que se practica habitualmente, uso estabelecido, sistema, regra, etiqueta, pragmática, execução, realização.
Praxe Académica: Costumes especiais e convenções usadas pelos estudantes da Universidade de Coimbra.

Relativamente a praxe Académica, estes costumes foram-se difundindo por todas as Instituições de ensino superior, deixando assim a exclusividade coimbrã, para se adaptar a outras realidades e tradições (outras "praxes"!), noutros locais do país, como é o caso de Viseu.

Assim, a praxe é um tema com muitos anos e duas vertentes abruptas opostas: Os Praxistas e os Anti Praxistas.

Os Praxistas defendem a integração do caloiro, o espírito de entreajuda, a igualdade, o convívio, a obediência, a hierarquia.
Os Anti Praxistas vêm as características acima referidas como humilhação, exclusão, autoritarismo, elitismo e até fascismo.

Confesso que ambas as vertentes têm razão, até porque a praxe é feita de pessoas, sendo assim, as pessoas e o seu bom senso é que fazem a diferença na praxe.

Uma praxe é bem feita quando: não põe em causa a integridade física e psicológica do caloiro, não fere os seus valores pessoais e morais, ou as suas crenças sociais e religiosas e no final tem por objectivo ensinar uma "pequena" (ou grande) moral aos caloiros, ou de alguma forma aumenta o seu crescimento cultural e/ou sociológico.

Uma praxe mal orientada, não respeita um destes principios acima referidos (apenas um basta...) e como consequência aparece nos media, como um caso bárbaro de violência.

É tempo de evoluir e deixar costumes bárbaros, para adaptar a praxe ao século XXI.

A tradição em Viseu, tem aproximadamente 8 anos e é uma cópia muito aproximada de Coimbra, com algumas "nuances". Talvez seja altura de fazer algo novo, simples, desburocratizado e acima de tudo verdadeiramente educativo, pedagógico e integrador.

Qual a finalidade de ter um código de praxe imenso, com imensas gralhas e omissões, quando uma minoria da academia o leu e uma minoria dessa minoria o efectivamente percebeu e apenas uma ínfima parte do estudante o pôs em práctica?

A Universidade de Évora ( a segunda mais antiga do país! Logo com uma tradição secular!), possui um código de praxe da dimensão de um passaporte do caloiro, funciona porque toda a academia o sabe de cor e salteado, é desburocratizado e "Simplex"!!!

O traje académico, único no país adaptado ao modelo "Beirão", sinónimo de igualdade entre os estudantes, hoje não é mais que uma questão de afirmação pessoal e de "status" social.
Então porquê regulamentar o uso do traje, acessórios e tipo de sapatos ou chapéu? Quando o problema está em pessoas que quando envergam o traje se transformam em super heróis da fanfarronice, o terror dos caloiros, ao mesmo tempo que dizem e fazem as maiores alarvidades que se possa pensar, independentemente de trajarem de calças ou saia, com capa ou sem capa!
O traje vulgarmente utilizado para ocasiões especiais como: praxes, semanas do caloiro/ académicas e jantares de curso, e quem vai às aulas trajado??? NINGUÉM!!!

A praxe pode e deve continuar, desde que acompanhe a evolução dos tempos, mantenha invioláveis os valores de justiça, fraternidade, igualdade, companheirismo, alegria, convívio, integração e entreajuda, sem esquecer a vertente educativa psicossociológica.
A praxe deveria ser um veículo transmissor de conhecimentos de estudantes mais velhos para os recém chegados caloiros.
Promover os debates, a troca de ideias e opiniões, no lugar de os oprimir com os seus pensamentos e torná-los ovelhas obedientes, sem ideias e sem autonomia.
No futuro os caloiros terão a mesma postura perante os seus sucessores, é um ciclo vicioso.
Não vamos ser fundamentalistas em relação a uma tradição com menos de dez anos e que facilmente pode ser alterada, para algo melhor, mais dinâmico e inovador e colocar Viseu no mapa das Academias deste país por uma praxe inovadora, bem estruturada e justa.




5 comentários:

  1. De facto a tradição já não é o que era...realmente já poucas pessoas sabem trajar! Cada vez se vê mais as pessoas a mostrar a sua individualidade através do uso de acessórios com o traje...Que se destaquem pela presença e maneira de ser!!!
    Tenho muito orgulho em usar o meu traje, e uso-o sempre que quero! Acho que é preciso chamar de volta as pessoas para a verdadeira tradição...aquela que não implica NB, Hangar...etc...
    O "nosso" Viriato (IPV) esteve muito bem no seu discurso na Palestra de Sapiência! Que se faça luz!!!

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  2. Não tenho consciência, nem conhecimento das "sábias" palavras do "nosso" Viriato na palestra de sapiência.

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  3. "A tradição em Viseu, tem aproximadamente 8 anos e é uma cópia muito aproximada de Coimbra, com algumas "nuances". Talvez seja altura de fazer algo novo, simples, desburocratizado e acima de tudo verdadeiramente educativo, pedagógico e integrador." Fim de citação.

    Peço desculpa pela intromissão, mas queria apenas repor alguma verdade histórica, quanto à afirmação acima citada.

    A tradição em Viseu, vulgo praxis, é uma prática que data de inícios dos anos 80, pelo que estamos a falar, grosso modo, de cerca de 25 anos de tradição.

    Ela foi implementada e cristalizada na UCP de Viseu e regulamentada em código em 1995.
    O IPV, seguia, até definir o seu próprio normativo, a praxis em vigor na UCP, dad a aproximidade entre instituições (os mais antigos recordar-se-ão dos pavilhões pré-fabricados ao lado da já demolida cantina (hoje a biblioteca) onde o pessoal da trecnologia tinah aulas.

    A Praxe não tem de mutar ao sabor da moda.
    O que deve existir, sempre, é bom senso, respeito e pessoas idónead que saibam aplicar e cumprir as regras.

    Mas falta debate, falta.....principalmente, formação (pois não basta um livro com dezenas de artigos e leis).
    Para isso, mais do que brincadeiras com caloiros e festitas aos kilos, são precisas jornadas, colóquios, onde gente esclarecida venha contribuir para a formação das pessoas em termos de praxis, da sua história (que quase ninguém conhece: nem a geral e muito menos a de Viseu), da sua razão de ser, etc.

    Nisso, até à data, nenhum organismo de praxe teve corajem para fazer, apesar da tentativa que houve em trazer para Viseu o III Congresso de Praxe.

    Julgo que é preciso informar e formar, e isso passa pela união das academias em torno da CTA da FAV.

    Está visto que não é com pequenas iniciativas que se ficam pela rama que se vai lá.
    Antes d emais é preciso (re)começar pela base.

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  4. Se não á gente que vai ás aulas trajado, que não leu ou não se rege pelo código da praxe... é em Viseu...

    No pOrto é bem diferente!

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  5. "O traje académico, único no país adaptado ao modelo "Beirão", sinónimo de igualdade entre os estudantes, hoje não é mais que uma questão de afirmação pessoal e de "status" social."

    Nada mais falso! É um mito essa coisa da igualdade!!!
    O TRaje não foi criado para tornar igual, mas para diferenciar o foro académico dos demais mesteres que existia na época.

    Se em Viseu nem tudo são rosas, em termo d epraxis, é também pela crescente ignorância que se verifica sobre praxe, seu conceito, história e pertinência.

    Fica o convite para descobrir isso e muito mais no meu blogue.

    Abraço!

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