10 novembro 2015

A União das esquerdas & o efeito Syriza

O governo caiu. IUPI


O processo político em curso, além de inédito na democracia portuguesa, configura algo extraordinário no nosso regime, a tentativa de avançar para uma solução além do caminho único apresentado sem qualquer espécie de negociação por parte dos partidos da direita.

São os sinais dos tempos, o surgimento de partidos e representantes de esquerda pelo mundo fora, mais voltados para as pessoas e os ideais humanistas, veja-se a Grécia, a Espanha, mas também o Canadá ou a própria Inglaterra.

Não há soluções únicas, apenas imposição de agenda

Foi isso que Passos e Portas fizeram durante 4 anos, foram além da troika, privaram pessoas de empregos, salários, pensões, cuidados de saúde, subiram impostos e aniquilaram o mercado interno, que apesar de modesto, cria emprego, gera riqueza e concentraram esses recursos numa meia dúzia de oligarcas sem rosto.

Chamaram piegas aos portugueses, mandaram-nos emigrar, retiraram feriados com a conivência da igreja e o argumento da produtividade, quando na verdade estavam a dar uma semana de trabalho à borla ao patronato e a baixar o valor hora dos salários, já de si miseráveis.

Durante 4 anos esta gente fez o impensável, humilhou, massacrou e extorquiu a maioria dos portugueses, dividindo as pessoas, mentindo, camuflando informação, como os números da dívida, do défice, da emigração ou do desemprego.

Em 2011 Passos apresentava um programa fictício que nunca cumpriu, e que Portas muito condenou em período eleitoral, mas ao qual fez tábua rasa sob a perspectiva de integrar um governo, fez o finca pé do episódio "irrevogável" revogável marimbando-se para a estabilidade do país, para os mercados, assegurando-se a si e aos seus.

Privatizaram sem pejo, mas com prejuízo para todos nós, implementaram uma agenda de obediência servil e desmesurada, escravizando um país e um povo aos ditâmes de sabe-se lá quem, vindo sabe-se lá de onde.
Por mais umas coroas, compra uma casa e oferecemos um visto gold para se passear pela Europa.
Pode construir aqui a sua empresa, pagar impostos no Luxemburgo ou Holanda e levar todo o capital para as ilhas Caimão, se isto é a tão almejada estabilidade, como explicar aos portugueses que depois de 4 anos de tropelias, a dívida seja maior, o défice seja maior, o desemprego e a emigração estejam em valores recorde? Não explicam...

Pois é, martelam as contas.

Foi esta conjuntura que possibilitou a União das esquerdas, em 40 anos de democracia, as diferenças supostamente insanáveis à esquerda, foram sanadas pela péssima governação da direita.

Um dos argumentos mais utilizados, é o do medo, com a questão "de onde vem o dinheiro?", a resposta é simples do mesmo lugar de sempre, a forma como é distribuído pelas necessidades do país é que muda, salvar bancos das suas negociatas, políticos dos seus esquemas fraudulentos, escritórios de advogados aprovando legislação por conta no parlamento, promiscuidade entre política e empresas muitas vezes fictícias (veja-se como a Tecnoforma pôs Passos no governo) é isto que pode e deve mudar.

Retroceder nas políticas de empobrecimento geral e colectivo, não é tarde para perceber que este modelo de Europa está errado, que a austeridade asfixia a prosperidade do país e favorece o aumento da corrupção é tempo de arrepiar caminho, mais países perceberam isto e em breve mais estados membros virarão à esquerda, as eleições em Espanha são já em Dezembro.

Esta é uma das últimas possibilidades que a democracia portuguesa terá para inverter o rumo dos acontecimentos, se o não conseguir à semelhança do Syriza esmagado por uma Europa de não eleitos de direita no eurogrupo, no BCE e na comissão europeia, com um parlamento convertido em seita pelo PPE, da qual Assis e Rangel são apoiantes fervorosos, de onde lhes vêm salário e mordomias várias, para defender integrações, uniões bancárias e fiscais, Portugal corre o risco de ver o seu regime democrático esbulhado às mãos de um modelo de europa que é tudo menos uma União, que não quer a prosperidade dos seus povos e que apenas está preocupada com a criação de um império sem rosto decidido em reuniões secretas, clubes de Bilderberg, clubes de Roma e comissões trilaterais, tudo demasiado longe da realidade dos povos.

Não arrisco fazer futurologia com os resultados práticos da União das esquerdas em Portugal, mas chegada é a hora de mudar o discurso europeu e inverter o rumo dos acontecimentos, quem não percebe isto, não está com a corrente que tem vindo a crescer silenciosamente por toda a parte, fruto de uma nova geração que não conhece o PREC, o muro de Berlim, a URSS, Cunhal e outras coisas mais, mas que conhece Passos e Portas, o desemprego, a emigração e a pieguice de quem do alto das suas mordomias retira o mais básico aos demais.

Só pela capacidade de devolver a esperança aos portugueses, a União das Esquerdas já merece formar governo e fazer jus ao horrendo acrónimo Paf, esse som de bofetada a quem acha que se ganham eleições sem programa, só com base no  medo de mais empobrecimento.

Hoje e ao fim de pouco mais de 1 mês de "ganhar as eleições", o Paf faz Puff e desaparece, que alívio!


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