17 fevereiro 2015

Portugal não é a Grécia, mas podia ser...


Pedimos desculpa, a UE segue dentro de instantes, só ninguém sabe bem para onde...

É muito bonito, quando milhões de pessoas seguem à força o pensamento único escorrido das torres de marfim de Bruxelas, pelos não eleitos produtores de euros e respectivos promotores do dito.

Mas e se alguém ousar discordar, do pensamento único austeritário? 

É o que está a acontecer neste momento com a Grécia, que DEMOCRATICAMENTE, elegeu um governo que até agora só tem dado que falar e lançado o pânico nos defensores do pensamento único... Porque adivinhe-se, há sempre múltiplas soluções para qualquer problema!

... Mesmo que isso tire os almoços grátis à Alemanha, os paraísos fiscais das multinacionais no Luxemburgo do presidente da comissão europeia Juncker, dos subornos de armamento do ministro das finanças alemão Schauble ou o sono ao presidente do eurogrupo Djisselbloem...


Nesta ronda de negociações do eurogrupo, os tecnocratas queriam estender o programa da Grécia por mais 6 meses, ganhando tempo para burocratizar ainda mais o processo de recuperação grega (ao qual acresce juros e sobre o qual se pode ainda especular), o governo grego considerou a proposta inaceitável... 

Na mesma reunião, Portugal vê aprovado o pedido para devolução antecipada de 12 mil milhões ao FMI... E a comissão liquidatária a que chamamos de governo, recebe assim a sua comissão antes de se despedir nas eleições legislativas de Setembro.
"Assumir os compromissos assumidos" com o FMI é bonito, só tenho pena é que não funcione com o BES nem com os primeiros ministros Pedro e Paulo.

Nisto tudo há ainda uma série de variáveis complexas, que os tecnocratas da finança ignoram...

  • A Ucrânia que ainda não deixou de ser Rússia, mas já é UE, já "apeada" com um empréstimo multimilionário, prestes a receber armas dos EUA.
  • O apoio da Rússia ao cenário Grexit, sabendo que a saída da Grécia do euro abre um precedente sujeito a repetições.
  • Os pipelines e gasodutos de abastecimento do centro da europa, desviados da Ucrânia para a Grécia.
  • A não anuência grega pode inibir as sanções à Rússia.
  • A Grécia possui os portos europeus, mais próximos do canal de Suez com ligação ao oceano Indico.

A crise das dívidas soberanas mostrou que a distribuição de moeda única feita exclusivamente através da banca e da concessão de empréstimo é um fracasso.

As multimilionárias ajudas externas, ficaram retidas na banca, que utilizaram esses montantes para camuflar os maus investimentos e desvios, como o caso BES e o dinheiro que se esfumou para Angola ou em papel comercial da Rio Forte e que afundou a PT, com a conivência de governantes e reguladores, cuja missão é confiscar propriedade privada.

Claro que o nosso governo é contra o Syriza, Passos, Portas e Cavaco estão nos antípodas de tudo o que representa a autodeterminação de um povo, subjugado aos dislates alemães e dos tecnocratas europeus como simples funcionários de uma mercearia, governando contra os poucos que os elegeram, de forma autista, cruel e autoritária.

Mas Portugal não é o único país nesta situação, aqui ao lado em Espanha o Podemos, posiciona-se à frente nas eleições legislativas de Outono...
Em França, a extrema direita sobe com o mesmo afã perante os atentados do Charlie Hebdo e a islamização intensiva do país...

E mais são as vozes que se levantam, contra o pensamento único, contra a austeridade do jugo económico, fiscal e bancário, mas sobretudo contra a Alemanha e os países do norte, o centro do eurostate para onde fluem todos os recursos com o Mecanismo Europeu de Estabilidade à cabeça, mais um órgão da ganância eleito por ninguém para garantir o controlo sobre os "endividados".

Ainda é cedo para falar da actuação grega, talvez estejam a ganhar tempo para reunir mais apoios e consensos no seio europeu, sendo que os EUA não querem perder o país para a Rússia...
Os EUA que passaram por algo semelhante na sua guerra civil de norte e sul.

A UE enfrenta um desafio político de peso onde a sua própria sobrevivência e manutenção é posta em causa, pela primeira vez em muitos anos, os fanáticos da austeridade, encontraram radicais anti austeridade.

Numa europa onde o negócio é o empréstimo, a usura e a especulação, dizer stop a isto é um dever.

O Syriza teve coragem para o fazer e aqui reside o perigo... 
Nunca um número tão significativo de europeus se sentiu tão representado como agora.

Para quem está preocupado com os 1100 milhões que emprestámos à Grécia, demos 10x isso para o BPN e outro tanto para o BES, só deus sabe quanto vai para manter as PPP, em juros de 2014 demos 7x o que emprestámos à Grécia e em 2015 vamos dar 15000 milhões.

Além da fiscalidade verde, deviam ter inventado a fiscalidade azul, para taxar os sacos azuis.

Volto a frisar, ainda é cedo para tirar conclusões, mas para já os gregos estão a ser uns heróis para os povos da europa, sobretudo os do sul em situação similar, com a engendrada crise das dívidas soberanas.

Há algo de poético, na histórica determinação da resistência grega ao domínio alemão.
Portugal não é a Grécia, pois não! Mas em certos aspectos até devia ser...

P.s- Grécia, desculpem o nosso governo, ele nunca representou Portugal ou os interesses dos portugueses... O programa eleitoral era fictício e como tal os representantes eleitos ilegítimos.

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