16 janeiro 2015

Liberdade Segura

Do além, os autores do Charlie Hebdo respondem perante a actualidade

Numa semana apenas, a Europa surge pejada de terroristas por toda a parte.
Os rótulos "terrorista", "jihadista" e outros são suficientes para se retirar a vida a alguém "no questions asked"... Sempre a bem da segurança dos povos, check points por toda a parte e militares anti terror com a mesma farda dos perpetradores do terror dos atentados do Charlie Hebdo.
Nada diferencia uns dos outros...
O slogan Je suis Charlie, que indiciava não ter medo do terrorismo, denuncia precisamente o contrário, num patriot act europeu...
Quando temos como exemplo o resultadão que deu nos EUA, após o 11 de Setembro.

A opinião pública legitima tudo quando é levada a pensar na barbárie à porta de casa, numa guerra permanente, combatendo um inimigo inexistente e sem rosto.

Donald Trump, twittava... "Se estivessem armados no Charlie Hebdo, tinham pelo menos tido uma chance de se defenderem", "desarmando toda a gente, só os terroristas tem armas"... Perante as evidências, não consigo discordar totalmente destas afirmações.
E quem arma os terroristas, são os mesmos que se mostram zelotas da segurança e do anti terror.
O humor, que sempre foi uma arma social poderosa para dizer as verdades, é agora encaixotada, porque segundo o papa chico não podemos ofender a fé dos outros, nem que os outros acreditem em macacos voadores, em elefantes cor de rosa ou se ofendam com a facilidade de uma boneca de porcelana, fazer piadas é que não... Pode ser perigoso e lá está o medo outra vez, camuflado na boca de sua santidade o papa.
Respeitinho é bom e caricaturas com o papa, tantas vezes visado pelo Charlie Hebdo, é que não!

Porque todos sabemos que as palavras ofendem muito mais que tiros, raids terroristas ou raids anti terroristas... E tem o perigoso poder de fazer pensar, enquanto um tiro acaba com isso de uma vez só.

Algures no percurso evolutivo da humanidade do século XXI, achou-se que utilizar o humor é uma arma mais gravosa que as respectivas armas com que se tira a vida indiscriminadamente utilizando apenas o rótulo sem rosto de terrorista ou jihadista...

A Europa já lançou a sua fatwa à liberdade de expressão, ao humor e à liberdade de circulação.

Depois dos últimos anos de austeridade, terreno propício à proliferação de "ismos" em barda e onde muitos já se questionavam acerca do real propósito da UE, este episódio revela bem as cores patentes no eurostate.

No Charlie Hebdo sabiam-no, tiveram razão desde o inicio e por isso deram a vida... O sistema instrumentalizou-os de uma forma que os próprios em vida nunca teriam permitido!
Numa semana, a Europa monta o cenário perfeito para o cidadão comum abdicar de suas liberdades em prol da segurança.
Quando ambas nunca foram garantidas pelos estados...


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