01 outubro 2013

Autárquicas 2013- A costumeira manhosice das estatísticas

Janus
Deu-se a maior feira de emprego em Portugal, desde que o PSD "mutatis mutandis" de Passos Coelho está à frente dos destinos do país.

Deste fenómeno eleitoral, há várias conclusões que se podem tirar, desde as mais óbvias a outras mais incómodas que os comentadeiros de serviço fazem o favor de esquecer.

Por exemplo, se somarmos abstenção, brancos, nulos e votações em independentes, percebemos que mais de 60% da população, não quer nada com partidos políticos...
É muita gente e garanto que não emigraram todos.

Que as vitórias ditas esmagadoras, como a de António Costa em Lisboa, foram obtidas com maior percentagem, mas menos votos do que em 2009, fruto desta abstenção crescente.

1 milhão de votos, simplesmente desapareceu das urnas, situação que enfraquece os partidos e lhes reduz financiamento.

O PSD, foi completamente cilindrado, o CDS também, mas como tem mais câmaras para mostrar que em 2009, escapa de fininho.

Os movimentos independentes continuam a tendência crescente a par com os votos nulos e brancos.

O PS conquistou 150 câmaras, o mérito é de quem concorreu próximo das populações e mobilizou as gentes e não de Seguro, nada de embandeirar em arco colocando-o já hoje, como candidato a 1º ministro.
(Por muito que isso agrade ao PSD)

Muita gente no PSD, está a provar da própria receita que ministrou ao país sob a forma de desemprego colectivo, que procurarão mitigar já nas europeias em 2014... Palpita-me que sem grande sucesso.

Os comunistas firmaram a sua influência, prova clara do descontentamento geral do eleitorado com as políticas do centrão, as duas faces da mesma moeda.

O BE eclipsou-se... Português que é português, manda piropos e pronto!

Como é normal e expectável as autárquicas geram um barómetro nacional de intenção de voto, facilmente transportável para legislativas.
No entanto o chumbo monumental à direita (veja-se a hecatombe na Madeira onde Jardim perdeu 7 em 11 municipios) carece de responsabilidades, quase todas imputáveis ao Coelho e aos seus discursos pífios, infelizes e carregados de populismos impopulares.
No entanto, tudo isto não significa que o eleitorado corra de braços abertos para o PS...
Sobretudo um PS não isento de culpas, com muito ainda por provar nos domínios da oposição que se tem pautado por uma conivência estreita com as políticas do memorando agiota, sem o mínimo rasgo que possa ser considerado de alternativa.

Surgem algumas figuras no PSD (sobretudo se apoiadas em vitórias, tão escassas neste momento!), encabeçadas por Rui Rio, cujo o embandeiramento de arco eleva, para a direcção do partido e consequentes legislativas ao cargo de 1º ministro...

Da mesma forma que o embandeiramento em arco eleva Costa para a presidência da República.

Eleitos com cada vez menos votos, qmas paradoxalmente percentagens muito maiores do eleitorado polarizado que foge do partido do Coelho como o diabo da cruz, veremos como ficará o financiamento partidário, depois de mais uma mingua nas bases sociais de apoio.
Vale o financiamento de Bruxelas, para quem os ungidos da legitimidade governam em prol do subsidio.

É muita boca para alimentar e Passos obviamente preferiu alimentar os patrões da Europa que os caseiros do Jardim laranja nacional, uma decisão que lhe vai custar muito caro, mas ainda mais caro ao PSD a médio e longo prazo...

Que se lixem as eleições et voila... Desejo concedido!

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