04 junho 2012

Ensaios de uma carta de motivação


Não raras as vezes, as ofertas de emprego pedem uma carta de motivação.
Como acho fundamentalmente estúpido, tentar descrever a motivação para algo que não se sabe bem o que é...
Vou fazer o exercício ao contrário!

Começo por descrever as minhas motivações gerais.
Havendo interessados em cumprir a pirâmide de Maslow, podem-me recrutar, caso contrário, não vale a pena...
Não merecem o meu tempo!

Como unidade básica de trabalho, o ser humano também tem regras de utilização e respectivo manual de instruções.
Requer manutenção adequada e periódica.
E a sua motivação (seja ela laboral ou outra), requer a satisfação contínua de pré requisitos.


A empresa deve contratar permitindo sempre cumprir esta pirâmide, facilitando a progressão ao fornecer condições para a realização pessoal de cada trabalhador.

Assim a cada nível que se sobe na pirâmide de Maslow, a produtividade aumenta e consequentemente a empresa lucra mais, sobretudo no capital humano e na aquisição de precioso know how.
Uma clara aposta de médio longo prazo, para empresas que realmente criam economia sustentável...
E não holdings de lavagem de dinheiro, que ilustram o parasitismo em todo o seu (d)esplendor!

Nível 1- Necessidades básicas

Nenhum trabalhador privado de comida, descanso, sexo, casa, água, ar, etc... Consegue desenvolver o seu trabalho em condições satisfatórias.
Qualquer um dirá que isto é lógico...
Mas se é lógico, porque tiram as casas às pessoas, porque aumentam os preços da água, energia, alimentação, porque obrigam a generalidade das pessoas trabalhar mais horas, privando-as do descanso, da vida social e familiar?
É lógico...
Tão lógico, que o estado e as empresas começam por esmifrar a generalidade dos trabalhadores neste nível...!
Mas não é só a privação... A deterioração de alguns destes factores são também fonte de desmotivação!

Nível 2- Segurança

Qual a segurança laboral de alguém que arrisca a vida todos os dias no seu trabalho por falta de condições?
Que possui um vinculo laboral precário que não lhe permite segurança financeira para mais de um mês?
Que é constantemente assaltado, nos seus direitos, na sua dignidade e nos seus bens?
Sem que possa recorrer à justiça, que ao que parece é para todos... Aqueles que tem dinheiro!

Nível 3- Amor e sentimento de pertença

Quantos desenvolvem as suas actividades num sentimento de pertença, de colaboração e entreajuda... Sentindo que o seu contributo melhora a empresa, porque quem manda faz questão de apresentar os objectivos, definir a estratégia e envolver os colaboradores no sucesso ao invés de os culpar pelos falhanços rotundos da gestão...
A prática recorrente do tem que saber o mínimo possível acerca da gestão da empresa, empurra os trabalhadores para um nível automatizado de trabalho, que outros não querem fazer, mas acerca dos quais recebem os louros.
Para não falar no assédio moral, nas agressões verbais e na falta de educação que se respira por aí em ambientes laborais!

Nível 4- Auto estima

A César o que é de César... Os louros de um bom trabalho, são frequentemente parasitados pelas hierarquias superiores, chamando a si os louvores de bons resultados, mesmo quando a iniciativa não foi sequer apoiada ou sequer estimulada...
O mais frequente, é o não reconhecimento, apropriação do mérito do trabalho alheio ou simplesmente premiar os parasitas!
Se corre bem, mérito à chefia... Se corre mal, castigo ao trabalhador!

Nível 5- Auto realização

Objectivo, propósito, auto realização, auto motivação, criatividade, vitalidade e autenticidade, entre outros.
São os aspectos que se pretendem em alguém que desempenhe uma função, com um máximo de produtividade (que não é, nem nunca será, sinónimo de salário ou chicote)...
Poucos são os que podem assumir uma posição de autenticidade, nos cargos que desempenham pelo medo do julgamento dos outros, a reacção dos colegas ou do(s) chefe(s)...
A censura do pensamento que impede que as pessoas realizem o seu potencial para se transformarem num autómato formatado para a estupidez vigente, sem qualquer hipótese de um rasgo criativo, autonomia ou livre arbítrio.

Resumindo:

Sentir- me ei verdadeiramente motivado em trabalhar com uma organização, que respeite e dê cumprimento à pirâmide de Maslow, que me faça aprender, melhorar e me dê muito mais do que um salário no final do mês...
Alguém que beneficie, com a minha presença e o reconheça.
Que queira o output original e autêntico da minha capacidade cerebral no seu melhor.
No final de contas não se trata de escravatura e parasitismo, mas sim de relações simbióticas onde todos saem a ganhar, estado, patrões, trabalhadores e sociedade em geral!

Tudo o que for menos que isto, ou versões adulteradas ao sabor das modas e das cores partidárias, pouco (ou nada mesmo...) me interessa.



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