25 maio 2012

S.H.S.T para Tótós


"Segurança" é um termo demasiado comum no nosso vocabulário, e é para tudo o que mexe...
Segurança interna, externa, sub externa, alimentar, fiscal, confiscal e respectiva comissão fiscalizadora... Há de tudo...
E em nome da "segurança" fazem-se muitas coisas...

Segurança (safety), é diferente de segurança (security)...
Devem colaborar no sentido da integração das "seguranças" (security+safety)...
Aquilo que acontece nos aeroportos hoje em dia...

Eu vou falar de Segurança no Trabalho...

É para mim muito difícil entender, que a generalidade das pessoas/instituições prefiram papeis para justificar tudo, colectando quantidades inimagináveis de informação em outras tantas toneladas de papel.
Supostamente para melhorar a gestão... 

Ao invés de:

Aplicar a melhoria contínua e envolver os colaboradores nos princípios gerais da prevenção, entender as suas motivações e a especificidade das tarefas que desempenham.

E de que forma poderá o TSSHT mudar a consciência do trabalhador?

Simples... Basta explicar, calmamente por A+B que está a negligenciar procedimentos e os riscos que estes implicam, depois é o bom senso a funcionar e esperar que assente...
Nem 8, nem 80...
Pouca insistência na segurança, causa negligência e demasiada insistência na segurança, causa aversão...
E é suposto o trabalhador ter noção da sua segurança, como poderá ficar com essa noção se estiver contrafeito?

Como se faz?

Independentemente, do sector, todas as actividades devem ter previsto, em suas organizações um documento de Avaliação e Controlo de Riscos associados às actividades desenvolvidas, quando mais especificas forem as descrições das actividades (nada como fazer a tarefa para perceber, né...), melhor será a avaliação do risco e o controlo para a minimização/eliminação do mesmo.
Numa ponderação que começa no trabalhador, para a gestão e termina no TSSHT...
Sempre com "olho clínico" afiado para o que pode acontecer (Be prepared!).

É essencial estabelecer um elo de comunicação empática com o trabalhador, percebendo quais as tarefas que desempenha e as suas motivações implícitas... Determinar o grau de predisposição para aceitação da mudança de comportamento, gerada pela lógica, é um modelo mais lento de implementação... Mas que (per)dura pela vida, integrando a cultura do individuo no seu meio socio laboral!
O modelo autoritário comum mente observado, não quer saber disto... "Quer apenas mais papéis a dizer que está tudo ok"...
Papeis assinados de cruz, sem que ninguém seja convenientemente informado...Por oposição a ensinar a sociedade civil a pensar preventivamente (sem histerismos!), mas sobretudo a saber actuar em situação de emergência/catástrofe natural com noções claras de primeiros socorros!

No final o que interessa?
Ter um camião de papelada que ninguém vai ler?
... Ou ter mudado a consciência de alguém que ganhou o potencial de salvar vidas, incluindo a sua e dos seus?

Ser TSSHT implica andar com as leis de Murphy no bolso e não se deixar influenciar por elas.
E muito menos se trata de prever o futuro...(Pelos vistos nem o Gaspar consegue...)
Trata-se de activamente dotar as pessoas de conhecimento que lhes permita agir espontâneamente de forma preventiva, e claro! Se saibam safar numa situação de emergência ajudando os que o rodeiam e sabendo o que fazer.

A luta do TSSHT, é geralmente com fronteiras económicas e produtivas, é porém muito adjuvada em termos legislativos, o que lhe confere as tonalidades de ciência mista, que engloba transversalmente todas as áreas de negócio e a sociedade civil e funde (engenharia, ciências sociais, saúde, ciências do ambiente, química, gestão, direito, psicologia, etc). O plano da discussão tem sido redutor...

Vive-se atolado em burocracia e o grau de implementação na generalidade das empresas aposta essencialmente prevenção de acidentes de trabalho, dado que as consequências são imediatas, obrigam a tempos de paragem, desmotivação, agravamento de seguros, danos materiais, a terceiros, etc

São completamente ignorados os riscos psicossociais, o infâme stress, a depressão, os suicídios... Ninguém atribui a responsabilidade disto a modelos de gestão de recursos humanos falhadas, de desmotivação geral por malfeitorias várias e pressões (para não pensar pela sua cabeça!)...
Infelizmente há gente que não aguenta, mas como ainda não inventaram um "stressómetro", nada feito em tribunal...
Com as doenças profissionais é o mesmo, carpinteiros sem dedos aos rodos, gente a ouvir mal (porque passou grande parte da vida acima dos 100Db(A)...Desculpem, 85-87 Db(A)), que vê mal por desempenhar exclusivamente tarefas em frente a um monitor ou tem uma lesão músculo esquelética por passar a jornada em movimentos mecânizados, cronometrados e repetitivos numa linha de produção...

Ora os princípios ergonómicos contrariam isto... Não é o homem que se adapta ao trabalho, mas o trabalho é que deve ser ajustado ao homem! As máquinas que vieram industrializar os processos são geradoras de riscos que deverão ser acompanhados, quer em relação à especificidade da máquina, às tarefas em que é utilizado o equipamento e quem o opera.
Deve ser apurado,o estado geral do equipamento, funcionamento e manutenção. Ler o manual de instruções (que é obrigatório em Português...) e dar formação sobre a utilização do equipamento fazendo demonstração.

Experimentando locais de trabalho e atender ao seu enquadramento no contexto organizacional enquanto estabelece uma relação empática (podendo às vezes não ser simpática...!) de colaboração com os trabalhadores, facilita em muito a comunicação pela prevenção e consequente segurança de todos.

Há ainda muito a fazer acerca da implementação da segurança no trabalho em Portugal...

Produzir papeis a dizer "que está tudo conforme", sem qualquer tipo de verificação aprofundada, não será tão expressivo como um relatório fotográfico comentado.
Expiar as decisões da gestão e da pressão produtiva, que exclui o bem estar dos colaboradores, não é concebível.

Um TSSHT é, não raras vezes, uma vítima entre o sistema político e o patronato, envolvendo por vezes justiça e minando completamente a oportunidade de desenvolver a mentalidade e a cultura dentro das organizações.

Há que mudar isto...



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