01 maio 2012

1º Maio e o simulacro do fim do mundo




A história é bastante simples para 1º de Maio...
Um país sem emprego, sem poder de compra, sem saída ou soluções...
Obrigado a trabalhar, aliciado a consumir por um "pseudo desconto" de 50% em produtos previamente inflacionados em 400%...

Só o Pingo Doce ganhou em toda a linha neste 1º de Maio!
Com um dos maiores simulacros "do fim do mundo" que há memória em Portugal.
O ano, esse tinha forçosamente que ser 2012.

Inicio do mês, dinheiro fresco para gastar, feriado...
Dia do trabalhador e do seu descanso, transformado em vigília para pagar carregamentos de compras no Pingo Doce...
Se comprar mais de 100 euros, paga só metade!
Foi a puta da loucura...

Gentes sem consciência (ou sequer noção...) do que é o universo do marketing e da venda por impulso, desembarca em magotes pelos corredores, enchendo carrinhos de compras com tudo o que precisa, mas sobretudo com tudo o que não precisa...
Vandalizando tudo à sua passagem...
Hoje está a metade do quadruplo do preço que seria normal, para nós Portugueses!
Não interessa lutar por melhor, apenas sorver avidamente as maldições em forma de bênção, que os grandes senhores atiram ao rebanho...

O impulso designado como "medo de perder a oportunidade", amplamente reconhecido pelas agências de marketing e publicidade, foi levado ao extremo...
Ao mesmo tempo, podemos testemunhar em 1ª mão, o que aconteceria em Portugal, caso uma catástrofe, colapso económico ou simples e vulgar armagedão (amplamente divulgado pelos filmes do género de Hollywood), acontecesse...

É um claro sinal dos tempos, de como as massas podem ser encaminhadas para a estupidez, com discursos baseados apenas na sensação de perda e no medo!
Pouco importa que o Pingo doce pague os impostos na Holanda, que os seus funcionários trabalhem no 1º de Maio, que recebam mal e porcamente, ou que as mercadorias sejam vendidas a preços estupidamente inflacionados...
Que as pessoas não tenham dinheiro para gastar, que se agridam, que destruam, que passem fome o resto do mês porque gastaram tudo hoje achando que compravam tudo o que precisavam, ao gastar centenas de euros...
Lucros óbvios para a Jerónimo Martins, que continua a ser um dos "donos de Portugal".

Hoje se gastar mais de 100 euros, paga só metade...
Para a maioria dos Portugueses chegou como argumento para alimentar a histeria absoluta, para esvaziar as prateleiras, para gastar um mês de salário ( e passar o resto do mês a tenir e a tiritar com fome...Apesar de achar que já comprou tudo e mais alguma coisa).
Aconteceram os tumultos desejados, (coisa normal, quando se vai pacificamente às compras...) e assistimos ao maior fenómeno de ovelhismo em massa dos últimos anos, unicamente baseado na exploração e miséria humana...
Foi degradante de assistir.

As massas acorreram aos supermercados pingo doce, se fossem acorrer às câmaras de gás atrás do desconto de 50% presumo que o resultado seria muito idêntico.
Um excelente simulacro num 2012 apocalíptico.
Se o mundo acabasse amanhã, a véspera teria sido gasta numa fila de caixa a pagar (e vandalizar) compras que não seriam necessárias para o tal Apocalipse...
Mas se o mundo não acaba amanhã, porque é que todos se comportaram como tal...?

Portugal a raspar no fundo, a Jerónimo Martins com os bolsos cheios e stocks renovados, foi dia do escravo e da ovelha este 1º de Maio.
Para o governo Passista, o 1º de Maio apesar do extraordinário desemprego, foi o dia de maior encaixe de receita...






14 comentários:

  1. Adquiri vinte e três livros numa única semana de Feira do Livro. Poderia o meu comportamento configurar um caso de consumismo excessivo em época de baixa de preços? Creio que só pode, não é? Coro de vergonha, acreditem. Mas resta-me uma esperança: que, de alguma forma, as pessoas que compram demasiados livros com desconto escapem à classificação de «zombies estúpidos»; que «zombies estúpidos» sejam apenas as que aproveitam promoções para comprar comida e fraldas para os filhos.

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  2. Caro:

    Gostava de poder adquirir 23 livros, não tenho dinheiro para o fazer, nem trabalho para trazer dinheiro...
    Se o consumo de livros é excessivo ou perfila algum problema de consumismo crónico, só você o poderá dizer...

    Mas desculpe a(s) pergunta(s), esperou que a feira do livro abrisse desde as 4 da manhã, disputou algum dos 23 livros com outro transeunte, foram vandalizados livros no processo de aquisição, esteve quantas horas para pagar e finalmente, precisou de um semi reboque para levar os livros para casa?
    Relaxe, todos compramos coisas, mas nem todos alinham em histerias...
    E não fale em poupar!

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  3. Não caro Tiago.
    Na feira do Livro trabalham burgueses, abrem depois das 9h e o espaço fica vazio o dia todo. Livros vandalizados vi, alguns. O pagamento é rápido aceitam MB. Nenhum livro era grande, consegui carregar até ao carro sem grandes complicações.

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  4. Repare que eu não critico o acto de consumir em si, cada um faz o que quer...
    O facto de privarem as pessoas de consumir é que leva a este tipo de comportamentos desviantes, de violência e exagero! Amplamente aproveitados por todos aqueles que conhecem a situação do país...
    Este episódio é um sinal muito triste e grave da condição social do país... Mas isso ninguém vê, estava tudo a 50%!
    Ninguém reivindica direitos... É mais fácil dar uma naifada em alguém por um pack de minis!

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  5. Tem toda a razão. Quando falta o pão todos ralham.. mas o bolso é que manda.

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  6. Todos merecemos viver com dignidade, mas o embuste da crise conduz-nos inexoravelmente para um cenário que já vimos no passado... Regimes totalitários, guerras e fome!
    Todos os intervenientes que poderiam fazer algo nesse sentido, não o fazem... São pagos para continuarmos neste rumo!

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  7. Acho que o problema é bem mais grave... acho que não é só falta de vontade, é toda o sistema que não funciona. Será necessário derrubar o que temos, e isso significa duas saídas ou fome e guerra ou aos poucos ir mudando. Seja como for será sempre difícil.

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  8. No seu post fala de preços inflacionados 400%. Pff se tiver algum link que prove tal coisa em algum produto, pedia que partilhasse sff. Não que duvide de si, mas gostaria provas concretas para partilhar com outros.
    Obrigado

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  9. Sim, tem razão o problema, é bem mais grave...
    As pessoas não sabem na sua generalidade como se impor perante um sistema que está em todo lado, restringe e inibe... Prova-se que o "sistema" existe e funciona em pleno, assente apenas na produção de dinheiro e controlo de recursos e sem qualquer respeito pelo factor humano ou natural.
    Noções de equilíbrio ou desenvolvimento sustentável, nunca passarão do papel na utopia da economia sempre crescente, mas que na prática não cresce... Aliás é aconselhável que regrida para poder dar lucro...
    Claro que o desrespeito com que se mata de fome é o mesmo com que se mata pela guerra... Mas os bancos não se compadecem com isso enquanto houver quem pague juros para outros especularem. It´s just business dirão uns... Lamento, mas não consigo pensar assim.
    Nenhuma mudança foi feita de forma fácil, a minha revolução está escrita por aqui, num registo virtual que exponho sem pudor, mas com orgulho.
    Escrevo essencialmente para fazer perguntas e buscar respostas, mas sobretudo compreender...
    Ao que parece, muita gente se identifica com a cibertasca Farplex (a casa tem estado à pinha :)) e quer compreender coisas que os media tradicionais não veiculam, por interesses vários!
    Eu não vendo verdades, dou apenas a minha perspectiva...
    E eu acredito que, pacificamente é possível mudar consciência, sobretudo crítica!

    Cumprimentos

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  10. Caro João Jesus

    Isto é um blogue de variedades, comédias e novelas, onde qualquer semelhança com a realidade é pura ficção.
    Dito isto, se tivesse que provar algo pedia-lhe para comparar o preço de 1 kg de arroz entre 1980 e hoje, talvez seja prova suficiente!
    (Ok, admito que talvez não fossem 400% e pudesse ser um valor superior...Afinal de contas foi há 32 anos.)
    Duvide do que quiser... No duvidar é que está o ganho...;)

    Cumprimentos

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  11. O melhor é termos umas cadernetas para ir às compras como em Cuba!

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  12. Não...
    O melhor seria mesmo que as pessoas tivessem dinheiro!
    Ao que parece, fica tudo retido entre a banca e o estado... E estamos mesmo em Portugal, não precisamos ir a Cuba!

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  13. Repararam que grande parte das pessoas tinham nas compras papel higiénico? Pergunto: Como é que tanta gente resolveu as suas necessidades fisiológicas?

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  14. E packs de minis... Muitas minis...ahahhahaha

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