09 abril 2012

A revolta dos iogurtes


Foi ao passar pela secção dos iogurtes num qualquer grande supermercado, que me deparei, espantado com um cenário no mínimo insólito...
Os iogurtes conspiravam entre si a revolução.

Sempre pensei que a revolução partisse de uma iniciativa dos trabalhadores mal pagos e precários...
Mas nisto de revoluções em  plena ditadura económica, constata-se que os produtos tem sempre mais importância e peso do que as pessoas...

Partindo deste principio que as mercadorias, valem mais do que qualquer pessoa, na (des)economia do crédito.
Acreditei que fosse possível brotar a revolução na secção das frutas plastificadas pela agricultura química, talvez na secção das bebidas espirituosas e vinhos ou até nos brinquedos género action man...

Mas foram os malfadados e maléficos iogurtes, que na sua secção refrigerada conceberam um plano diabólico para conquistar o mundo...
Numa espécie de assembleia popular do iogurte, os trabalhos eram dirigidos pelo iogurte Grego, muito na moda pelas sucessivas participações culinárias nas mãos das estrelas Michelin, o que lhe confere prestigio e reconhecimento internacional...

Estavam também presentes os iogurtes de aromas, com pedaços, líquidos, combi, com e sem bifidus activos e L. casei imunitass...
Claro que nunca ninguém percebeu, ou pensou sequer, qual a necessidade de incorporar coisas de semelhante designação num vulgar iogurte, mas a resposta é óbvia...

Os iogurtes anónimos (que podem já andar dentro do seu frigorífico em sua casa...), estão a revolucionar o mundo...
Com o iogurte grego a comandar as operações, ninguém conseguirá prever o alcance e dimensão desta verdadeira conspiração lacto-bacilar...

Prevejo uma complicação enorme nos trânsitos intestinais, devido à escassez nos mercados de bifidus (activos, inactivos e passivos) e a garotada vai se constipar à brava sem os amiguinhos do L. Casei Imunitass...
A generalidade das senhoras vai passar a andar inchada sem o activea, para activar...

O iogurte, a par com os ovos (que também congeminam, não por bolos e omoletes, mas pela revolução), chegaram a ter direito a tempo de antena exclusivo para expressar todo o seu desagrado pela ditadura económica...
Exigem ser tratados por igual, querem uma extensão dos seus prazos de validade e a possibilidade de serem comidos por qualquer pessoa de qualquer idade em qualquer ponto do globo...

O iogurte é o produto predilecto desta estação contra o regime económico fascista global...
Este jornalista foi purificado com o produto mais revolucionário de sempre, o iogurte grego!

3 comentários:

  1. E valha-nos o iogurte, que isto da revolução tem que começar por algum lado, não é?

    Um abraço :)

    Sónia

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  2. Por cá o projécteis da revolução só podem ser as pedras da calçada, já que os queijos da serra, pasteis de nata de Belém, e vinho do Porto são muito caros, e os cravos já estão ultrapassados.

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  3. Eu confesso que ao ver alguns jornalistas da nossa praça, apresentando noticias e/ou entrevistas ao serviço dos interesses, por vezes me dá vontade de fazer isto... Por isso deixei de ver TV, acabava sempre por sujar tudo de iogurte...
    Acho que o iogurte é mesmo o mais seguro, não aleija e humilha parcialmente... Em manifs futuras, para polícias que gostam de bater, sugiro latas de tinta vermelha, para marcar o agressor...;)
    Ao preço que estão os iogurtes... Cá em Portugal deixamos de lado o iogurte grego e utilizamos um de marca branca, que faz o mesmo efeito...;)

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