21 janeiro 2010

Dinheiros e engarrafamentos



Eram 18 horas de um dia qualquer da semana (os dias da semana são todos muito iguais...), ia eu na 2ª circular a tentar chegar a casa no meio de um engarrafamento que não andava e sem qualquer hipótese de solução à vista, quando me pus a olhar em volta para as centenas (talvez milhares...) de veículos em meu redor, a pensar no que motivava os condutores a circularem por ali, mesmo sabendo que vão perder imenso tempo, mesmo sabendo que é um caos...
Aproveitei a longa espera, pus uma boa música e comecei a meditar (sem dúvida o melhor local para meditar...), sobre todas estas pessoas...
A resposta é simples: DINHEIRO!!!
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Senão vejamos, às 18h a maior parte das pessoas regressa do seu local de trabalho, onde entrou à cerca de 9 ou 10 horas atrás (ou mais...), já aturou do patrão, do chefe e do subchefe, andou a correr o dia todo, ouve os lamentos e as fofocas dos colegas e engoliu uma quase refeição um bocado à pressa! Se juntarmos a estes dias "pacíficos" 1h no trânsito de manhã e outra à noite, chega-se a casa e a paciência para qualquer tipo de vida extra laboral é nula!!!

A única explicação para a falta de interacção social entre as pessoas e o facto da generalidade da sociedade se comportar como zombies, é a sua necessidade de arranjar dinheiro, na esperança de ter uma vida mais confortável, da qual nunca vai usufruir porque anda sempre atrás de dinheiro, na esperança de talvez um dia enriquecer...
Por isso ouvimos tantos Portugueses "O Euromilhões é que era"...

Não falo de desempregados, cuja situação já é dramática quanto baste... Falo de pessoas com escolaridade suficiente para assumir uma responsabilidade num qualquer emprego, que se matam a trabalhar e não chegam a lado nenhum, "atascados" em dívidas, créditos e impostos...

O dinheiro original (ou o primeiro dinheiro...), era cunhado com metais preciosos, ouro, prata, cobre, etc...
Havia um valor implícito nesse dinheiro, o peso do metal precioso, mas a evolução económica e o crescente número de transacções originaram a necessidade do papel moeda, que foi criado em correspondência directa o seu valor em ouro...

Tal como as moedas que eram cunhadas pelo império, eram em número proporcional à quantidade de metal disponível, o mesmo se passou com as notas, que só poderiam ser fabricadas de acordo com a quantidade de ouro que o País possuia...

Actualmente o dinheiro não passa de papel imprimido colorido, sem qualquer correspondência em ouro, (aliás o preço do ouro subiu astronomicamente), um papel colorido, com uma impressão especial é o motivo de tanta miséria de tanta fome e de tantas mortes, apenas alguns papeis às cores levam passoas a suicidarem-se, a ter os comportamentos mais estranhos que possa existir e a fazerem as maiores atrocidades que se imaginam...

Nunca na história da Humanidade existiu tanto dinheiro em circulação como o dia de hoje e aposto que amanhã este record será batido... Mas mesmo assim é insuficiente pelo simples facto de estar extremamente mal distribuido, com pobreza extrema de um lado e pessoas escandalosamente (ricas) cheias de dinheiro no outro... Mas, e se não ouvesse dinheiro????

Qual seria a diferença entre o extraordinariamente (rico) cheio de dinheiro e o miserável?
Como seriam feitas as transacções?
Se as pessoas fossem medidas pelo valor dos seus pensamentos, acções e intelecto?
Se a riqueza fosse medida noutros valores que não o dinheiro, o Madoff teria desviado sacos cheios de papel, o défice e as contas públicas Portuguesas poderiam ser pagos em papel ( higiénico), os nossos salários deixariam de fazer sentido porque somos pagos com papel, o que se pensarmos bem é ridiculo correr tanto para no fim atirarem te uma migalha...
Eramos todos mais felizes na era das trocas directas, se queriamos ter coisas para trocar também teríamos que trabalhar...

O século XXI, a era dos MONEY ZOMBIES...

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