29 outubro 2006

Era de prever...

Há tempos escrevi um post sobre as consequências dos incêndios neste país...pois elas aí estão, as cheias...
A desculpa é sempre a mesma, de que os agueiros e as sarjetas não estão limpas... A verdade é que o problema é bem mais grave que isso...
Os incêncios provocaram nos últimos anos uma redução brutal da biomassa das nossas florestas, esta biomassa assente em várias camadas de solo (com uma espessura de vários metros) até à rocha mãe, são estas camadas que fixas pelas raízes de arvores e plantas absorvem grandes quantidades de água do escoamento superficial da precipitação e controlam o escoamento sub superficial e subterrâneo...Ora se não existe solo, ou se a camada do mesmo é fina a sua capacidade de campo, ou seja de retenção de água no seu interior é baixa, se o mesmo solo além do mais não possui elementos de suporte é arrastado pelos escoamentos...Daí as enxurradas de lama que se dirigiam para os rios e para os baixios...
O assoreamento dos rios também é um dos motivos das cheias, isto tudo aliado à ausência de planeamento e avaliação de risco por parte das entidades responsáveis...
Os bombeiros foram céleres a resolver questões de inundações e acidentes, mas não seria melhor prevenir do que remediar??? Talvez a solução fosse a instituição de centros de comando e monitorização de riscos, como meio de apoio à protecção civil.
Como consequência do verão catastrófico e em conjunto com um inicio de ano hidrológico (1 de Outubro) com valores de precipitação muito elevados instala-se o caos neste país e pensem que choveu durante apenas uma semana... E se chovesse durante dois meses ou mais? Como seria?

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